Os olhos não querem acreditar no que vêem: o relógio marca 4:50… Da manhã…

A saída do hotel está marcada para as 5:15, para fazermos a viagem até Jerez de la Frontera a fim de cumprirmos as formalidades alfandegárias necessárias à correcta saída dos pilotaços rumo a Marrocos.

A Jackie e eu colocamos a “mala do tesouro” a bordo do jipe (cheia de passaportes, claro está) e ala para Jerez. Não tem nada que enganar, é só seguir as placas. E é mesmo. Já perto de Jerez surgem as placas para o aeroporto, que seguimos religiosamente.

Chegamos no horário: são 6:15 quando estacionamos no parque do aeroporto. Dão-se duas trincas nas sandes que trouxemos, à laia de pequeno-almoço, e seguimos para a Polícia do aeroporto.

Encontrámos o escritório num cantinho do edifício aeroporto (literalmente). Batemos à porta, entramos e somos recebidos pelo agente de serviço ainda meio fardado: fomos interromper o homem que tinha evidentemente acabado de chegar e veio ter connosco ainda de jeans e a abotoar a camisa da farda. Ele já estava avisado de que viríamos e portanto não pareceu incomodado pela interrupção. :-) Àquela hora da manhã, era um agente muito bem-disposto.

Verificaram-se os documentos, actualizaram-se as listas e preparámos uma autêntica linha de produção para a carimbagem em série de todos os 60 (sessenta!) passaportes.

Depois dos passaportes carimbados, contados e recontados, de regresso a Villamartín.

Pelo caminho, convinha tentar encontrar óleo para o avião do Paulo… Estava nos mínimos. Corremos 3 postos de combustível e num deles o funcionário, muito solícito, ainda telefonou para um 4º enquanto tomávamos um café a ferver e mal-amanhado… Nada. Nem gota de óleo 15W/50. :-(

Sem saber muito bem como dar a notícia ao Paulo, voltámos ao aeródromo e aproveitei para comentar o assunto com o nosso anfitrião local… E não é que ele tinha lá uma embalagem que podia dispensar?!? Comprámo-la entre mil agradecimentos e lá pôde o Paulo descolar descansado, que não haveria de ficar pelo caminho com falta de óleo! :-)

Toda a gente a bordo, Dolores e André, e ala que se faz mesmo muito tarde. Temos muito caminho a percorrer até Tétouan.

But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.
(Robert Frost)

Liga-se o GPS com navegador, confirmam-se os mapas em papel e vamos rodando para Algeciras. Não faltou muito tempo até ter os passageiros a dormitar, claro… Àquela hora e no segundo dia da Volta, é quase inevitável. Fizemos uma paragem a meio da manhã para esticar as pernas e comer mais qualquer coisa. A Dolores aproveitou logo para comprar umas tangerinas (ou coisa parecida), que ainda me iriam causar uns arrepios frios mais tarde…

Já em Algeciras, atesta-se o jipe de gasóleo para garantir que não há surpresas em Marrocos, compram-se os bilhetes para o ferry e pensamos em comer. Eram 11:50 e já não conseguíamos apanhar o barco das 12h, portanto iríamos no das 13h. Vimos uma placa de um McDonalds e, apesar do trânsito, conseguimos estacionar num silo lá perto. Afinal era Burger King, mas só abria às 13h… A pizzeria do lado também. A casa das tapas, idem aspas aspas. Uma outra, às 12h30… Conclusão: é impossível comer ali algo de jeito antes da hora do embarque. :-(

Seguimos para o ferry com o estômago a dar horas. Felizmente não demorámos muito tempo a embarcar e tivemos uma excelente surpresa a bordo. Calhou-nos um ferry 5 estrelas. Nada parecido com os navios que usamos cá por Lisboa. :-)

Atacámos umas sandes no bar e entretivémo-nos a tirar fotografias, a dormitar e a aproveitar as boas instalações do navio. É que ainda falta passar a fronteira…

A sair de Algeciras
A sair de Algeciras

Gibraltar
Gibraltar