Rente ao chão - De Ceuta a Tétouan

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Chegados a Ceuta, fomos directos para a fronteira. Mais uma vez, nada como seguir as placas que diziam Marruecos. Entretanto arrependi-me de ter abastecido antes, pois a APAU poderia ter poupado umas massas com a diferença de preço no gasóleo, mas enfim… Quem não sabe é como quem não vê.

A travessia da fronteira foi longa e chata: gente a extorquir dinheiro, um calor enorme, filas longas e bloqueadas por gente que deixou os carros parados no meio da passagem…

Como se isto não bastasse, os computadores do posto que estava a processar os nossos passaportes foram abaixo durante muito tempo. A meio do nosso processamento, claro, portanto estava fora de questão mudar de posto. :-(

Ainda tivemos de esperar um pouco para que o carro fosse inspeccionado. Sabiam que é proibido importar comida para Marrocos? Pois… E a Dolores com um saco de tangerinas aos pés! Felizmente que o guarda tinha ar de quem não lhe apetecia estar ali e só quis dar uma vista de olhos ao porta-bagagens, senão tinha ganho um lanche de tangerinas.

Uma boa hora e meia depois, já estávamos na estrada para Tétouan. Muito mais aliviados, fomos comentando o enorme esforço de construção de estâncias turísticas naquela costa e seguindo as placas. Placas essas que nos fizeram entrar num troço de auto-estrada paga e em dinares… O portageiro estava proibido de aceitar euros, mas o condutor que parou atrás de nós fez o favor de fazer o câmbio à taxa “universal” de 1 euro = 10 dinares. E ainda dizem que Portugal é que é o país do “desenrasca”… Isso isso… Dêem um saltinho a Marrocos para virem de lá com outra opinião.

Bem, não conseguimos encontrar o hotel em Tétouan. Ao fim de um bom quarto de hora, eventualmente parámos para perguntar e verificámos que afinal o hotel ficava à entrada da cidade… Nós estávamos quase no centro. :-( Entretanto, uns telefonemas mudam o ponto de encontro: agora vamos para o Palácio Real.

Durante os primeiros dois ou três cruzamentos, ainda haviam placas, depois foi preciso começar a perguntar. Pergunta aqui, pergunta ali, castelhano, francês, vira daqui, vira dali, muito calor, muito cansaço e pouca paciência depois, conseguimos parar o carro lá perto. Ao telefone com o Tó e com o guia, com mais uma pergunta a uma patrulha militar pelo meio, conseguimos encontrar-nos! :-) Finalmente!

Claro que o guia, ao saber que estávamos próximo, já tinha entretanto arranjado uma dezena de marroquinos para nos encontrar… Ficou furioso quando nós aparecemos sem que os outros nos tivessem encontrado, mas também ficou contente porque assim não tinha de lhes pagar. ;-)

Reunimo-nos com o resto do grupo para a visita à medina. Eu a pensar que ainda estavam a almoçar e que íamos descansar um bocado, afinal bolas, mais duas horas a palmilhar a medina…

Não me entendam mal, que aquilo é muito giro (excepto o cortume), mas depois de 12h de viagem (segundo o André, que eu perdi a conta às horas) e pouco mais de duas sandes no bucho, o que eu queria era um almoço, um duche e uma cama… Estava de tal modo que quase tudo o que se vendia de comer na media me parecia deveras apetitoso!

Bem, a visita terminou com uma loja onde vimos um marroquino a despejar o mostruário de tapetes e onde depois alguns de nós compraram as suas lembranças. Sim, há quem tenha trazido tapetes alegadamente para decorar os aviões… Mas não fui eu. ;-)

Finalmente, pelas 18h locais, hotel. Ou seja, cama. Há duas horas antes do jantar para relaxar… Oh misericórdia! Ajudaram muito a apreciar o jantar que se seguiu, com os nossos anfitriões marroquinos e com os nossos amigos espanhóis da volta dos autogiros.

Amanhã será o regresso, mas agora… O descanso!

Fotografias e vídeos

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Já começam a aparecer imagens da Volta:

:-)

Rente ao chão - De Villamartín a Ceuta

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Os olhos não querem acreditar no que vêem: o relógio marca 4:50… Da manhã…

A saída do hotel está marcada para as 5:15, para fazermos a viagem até Jerez de la Frontera a fim de cumprirmos as formalidades alfandegárias necessárias à correcta saída dos pilotaços rumo a Marrocos.

A Jackie e eu colocamos a “mala do tesouro” a bordo do jipe (cheia de passaportes, claro está) e ala para Jerez. Não tem nada que enganar, é só seguir as placas. E é mesmo. Já perto de Jerez surgem as placas para o aeroporto, que seguimos religiosamente.

Chegamos no horário: são 6:15 quando estacionamos no parque do aeroporto. Dão-se duas trincas nas sandes que trouxemos, à laia de pequeno-almoço, e seguimos para a Polícia do aeroporto.

Encontrámos o escritório num cantinho do edifício aeroporto (literalmente). Batemos à porta, entramos e somos recebidos pelo agente de serviço ainda meio fardado: fomos interromper o homem que tinha evidentemente acabado de chegar e veio ter connosco ainda de jeans e a abotoar a camisa da farda. Ele já estava avisado de que viríamos e portanto não pareceu incomodado pela interrupção. :-) Àquela hora da manhã, era um agente muito bem-disposto.

Verificaram-se os documentos, actualizaram-se as listas e preparámos uma autêntica linha de produção para a carimbagem em série de todos os 60 (sessenta!) passaportes.

Depois dos passaportes carimbados, contados e recontados, de regresso a Villamartín.

Pelo caminho, convinha tentar encontrar óleo para o avião do Paulo… Estava nos mínimos. Corremos 3 postos de combustível e num deles o funcionário, muito solícito, ainda telefonou para um 4º enquanto tomávamos um café a ferver e mal-amanhado… Nada. Nem gota de óleo 15W/50. :-(

Sem saber muito bem como dar a notícia ao Paulo, voltámos ao aeródromo e aproveitei para comentar o assunto com o nosso anfitrião local… E não é que ele tinha lá uma embalagem que podia dispensar?!? Comprámo-la entre mil agradecimentos e lá pôde o Paulo descolar descansado, que não haveria de ficar pelo caminho com falta de óleo! :-)

Toda a gente a bordo, Dolores e André, e ala que se faz mesmo muito tarde. Temos muito caminho a percorrer até Tétouan.

But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.
(Robert Frost)

Liga-se o GPS com navegador, confirmam-se os mapas em papel e vamos rodando para Algeciras. Não faltou muito tempo até ter os passageiros a dormitar, claro… Àquela hora e no segundo dia da Volta, é quase inevitável. Fizemos uma paragem a meio da manhã para esticar as pernas e comer mais qualquer coisa. A Dolores aproveitou logo para comprar umas tangerinas (ou coisa parecida), que ainda me iriam causar uns arrepios frios mais tarde…

Já em Algeciras, atesta-se o jipe de gasóleo para garantir que não há surpresas em Marrocos, compram-se os bilhetes para o ferry e pensamos em comer. Eram 11:50 e já não conseguíamos apanhar o barco das 12h, portanto iríamos no das 13h. Vimos uma placa de um McDonalds e, apesar do trânsito, conseguimos estacionar num silo lá perto. Afinal era Burger King, mas só abria às 13h… A pizzeria do lado também. A casa das tapas, idem aspas aspas. Uma outra, às 12h30… Conclusão: é impossível comer ali algo de jeito antes da hora do embarque. :-(

Seguimos para o ferry com o estômago a dar horas. Felizmente não demorámos muito tempo a embarcar e tivemos uma excelente surpresa a bordo. Calhou-nos um ferry 5 estrelas. Nada parecido com os navios que usamos cá por Lisboa. :-)

Atacámos umas sandes no bar e entretivémo-nos a tirar fotografias, a dormitar e a aproveitar as boas instalações do navio. É que ainda falta passar a fronteira…

A sair de Algeciras
A sair de Algeciras

Gibraltar
Gibraltar

Rente ao chão - De Lagos a Villamartín

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Agora é que era!

Chegada antecipada ao aeródromo de Lagos obrigatória para tratar de questões logísticas… Há que distribuir identificadores, coletes reflectores e outro material aos pilotaços, co-pilotaços e passageiraços! Até fomos todos contemplados com um lencinho para o pescoço, a fazer lembrar os lenços dos pilotos de antanho… Ena pá, andamos na moda. :-)

Pormenores logísticos tratados e rotas traçadas, vai cada um à sua máquina. A minha apresenta-se-me ainda habituadíssima a andar de um lado para o outro. É que ontem tinha reparado que o jipe já marcava mais de 333.000 Km. :-| Briefing mecânico: tenho de controlar o óleo, que a máquina anda a bebericar do que não deve; felizmente não exige verificações frequentes, só de vez em quando. Atesta-se de óleo e de água (tive de procurar por um water container, porque recipientes/garrafas/garrafões/baldes/etc de água são coisas ininteligíveis por aquelas bandas)…

Caixas, malas, malinhas, sacos, computadores, ferramentas, óleos, mais material, mapas (três), GPS (dois) e passageira a bordo? Belo. Altura de arrancar para a pista de La Juliana.

Cruzámo-nos com uns aviões a caminho, ali para as bandas de Faro… Aliás, eles é que se cruzaram connosco, porque nós tínhamos saído mais cedo. Belo prenúncio…

Foi viagem fácil, mas depois de entrar em Espanha começo a preocupar-me: quilómetros de estrada a passar debaixo das rodas, o ponteiro do gasóleo a descer e bombas de gasolina nada! Encontrámos a primeira uns bons 60 ou 70Km já dentro de Espanha. Ufffff… Ou nós temos bombas de gasolina a mais ou os espanhóis têm-nas a menos… Ainda bem que o jipe não se parte se lhe acabar o combustível. ;-)

Jipe atestado de gasóleo e ala que se faz tarde. A velocidade de ponta não é grande, que a máquina já tem uns anos e vai carregada até às orelhas.

Para encontrar a pista, o GPS com navegador electrónico já não dava conta do recado. Saídos do asfalto e sem placas a indicar a direcção do aeródromo, é altura de sacar do GPS normal e seguir a setinha. Sorte de início de volta: foi logo o primeiro caminho de terra batida onde entrámos. Claro que ver um avião a aterrar de vez em quando também ajuda… :-)

Chegámos pouco depois do último avião, mesmo a tempo de irmos para a fila da paella. Que estava saborosa, mas quem quisesse repetir tinha de aguentar com a senhora a resmungar que parecia que não comíamos desde ontem. Eheheheh… :-D Aventureiros famintos!

Para Villamartín, sai-se antes dos aviões, debaixo de um sol intenso e com passageira nova. O fotógrafo ia para o ar e a Dolores também.

Viagem fácil e desta vez até o GPS com navegador deu com o campo à primeira! Ainda chegámos a tempo de ver a aterragem da maior parte dos aviões e de nos preocuparmos com os pilotos que se tinham perdido (essa história há-de ser outro a contá-la). Mas sem problemas: à hora do jantar, não faltava ninguém!

Villamartin (VV)

Foi preciso sacar das ferramentas para ajustar uns travões que teimavam em fazer greve e ir à procura de combustível para quem se tinha perdido. Indicações recebidas do nosso anfitrião, inventámos que nos fartámos e lá demos com uma das bombas de gasolina de Villamartín - curiosamente, não foi aquela que nos tinham indicado…

Recebemos mais umas bagagens de aviadores com peso a mais (nos aviões). Fomos os últimos a chegar para jantar, mas com tudo arrumado. Ainda houve quem não tivesse gostado de comer iogurte à sobremesa, mas senhores, por essa altura já quase só se pensa no hotel, que ainda vem longe e amanhã de manhã há muito que fazer!…


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