Depois de um sono reconfortante, toca a tomar o pequeno-almoço, onde podemos encontrar novamente o omnipresente cuscous. Sim, sim: em versão bolo de chá. Na minha opinião, não é mau de todo mas peca por ser um pouco enjoativo… Esse problema atenuou-se com um pouco de compota, se bem que fico com a sensação de que não era bem assim que ele deveria ser comido. Também havia pão de mistura para os menos aventureiros.
Já de malas aviadas e boleia aérea alinhavada para o André, é hora de sair. Infelizmente, parece que o jantar não caiu muito bem à Jacqueline, pelo que ela troca com a sua mãe e vem comigo por terra. Mal sabia ela no que se ia meter… Mas seria seguramente melhor do que um problema de estômago no ar!
Toda a gente embarcada nos autocarros e ala que se faz tarde. Toda a gente? Não. Há ainda um bando de irredutíveis que surgem depois de todos os transportes terem partido. Mas não são gauleses: são lusitanos. Ainda conseguimos encaixá-los no pouco espaço dentro do jipe… Anshallah.
O dia não podia começar bem sem que o ainda meio desorientado condutor (moi même) se perdesse, portanto foi só à segunda tentativa que encontrámos o aeroporto. E foi mesmo a tempo de testemunhar a odisseia do André e da Dolores, pois fazia muita confusão ao guarda da fronteira que eles tivessem entrado por terra e agora quisessem sair por ar! Felizmente chegou um oficial superior que lhe incutiu juízo, com muito esbracejar à mistura… Até parece que é estranho uma pessoa entrar por um porto e sair por outro.
Fizemo-nos à estrada e chegámos à fronteira sem sobressaltos. Toca de esperar. Filas enormes para tudo, claro. Para carimbar os passaportes, para passar o carro, enfim…
A seguir ao controlo de passaportes, houve um fulano com uma chave de fendas que nos mandou encostar. Não estava fardado e o polícia que andava por ali tinha desaparecido… Estranho… Parámos, pensando que o dito polícia viria ter connosco. Não veio. Pisgámo-nos.
À entrada em Espanha, inspecção e farejamento do carro. Nada a declarar, ala para o porto, onde chegámos cinco minutos antes de fechar o embarque! Tinha de ser… Lá gramámos mais uma hora até à saída do próximo ferry, entre trincas numas madalenas compradas numa bomba de gasolina ali perto, farejadelas de cães-polícia e esperas na fila de embarque.
Infelizmente este ferry já era normal, nada do luxo do último em que tínhamos viajado. Pagámos mais uns euros para subirmos ao convés superior, onde conseguimos ter mais algum sossego longe das crianças aos berros que infernizavam a vida dos passageiros no convés inferior… E beber qualquer coisa a acompanhar a sandocha comprada no bar.
Daqui até Olivença não houve grande história. Rolar por vias rápidas e auto-estradas, algumas com traçado muito recente, até uma estação de serviço algures a norte de Sevilha onde parámos para comer. Pedimos desesperadamente ao senhor que nos atendeu se tinha mais alguma coisa para além de sandes, mas lá tivemos que nos resignar a mais uns bocadillos porque a cozinha já tinha fechado.
Para quebrar a monotonia da viagem, lá fomos espreitando as altitudes quando o terreno começou a ficar acidentado e verificámos que chegámos a tocar nos 800m. Nada mau.
Surpreendentemente, o GPS levou-nos mesmo até ao desvio para o aeródromo! As estradinhas estavam lá todas.
Claro que já toda a gente lá estava havia muito tempo… E fiquei assombrado com o equipamento disponibilizado!…

Uma aeronave em emergência aterrou fora e o passageiro teve de ficar em terra… Nós ficámos para o fim, sempre sem saber se teríamos de prestar apoio à aterragem dessa aeronave e das outras duas que saíram em missão de busca e salvamento. Uma aeronave foi para o ar para fazer retransmissão das comunicações e eu segui como pendura:

Felizmente chegou toda a gente bem sem precisarem de iluminação na pista. O passageiro lá se desenrascou com a ajuda de um pastor espanhol e conseguiu apanhar um táxi mais tarde para a “civilização”.
Jipe novamente apinhado de gente, vamos cruzar a fronteira em disputa e chegar a Elvas, onde me esperava mais uma surpresa…
O hotel era um autêntico labirinto! Os quartos atribuídos a mim e a mais alguns companheiros de viagem não ficavam no piso lógico (ou seja, no mesmo piso dos outros quartos na mesma centena), mas sim com acesso a partir do piso inferior, ao cimo de umas escadinhas disfarçadas ao fundo de um corredor, sem quaisquer placas a ajudar. E o recepcionista ainda se saiu com o “ah pois, é normal”…
Senti-me como Teseu, mas ao menos não havia nenhum minotauro (nem donzela).
Jantar aceitável, sendo que o ponto alto foram as cerimónias de entrega de presentes e agradecimentos. Muito comoventes para alguns intervenientes… 